Informações técnicas: Métodos e Equipamentos de Aplicação
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As tintas são formuladas com o objetivo de se aplicar uma determinada pintura sobre uma superfície, proporcionando uma película protetora e decorativa. O sucesso da aplicação de qualquer tinta dependerá, certamente, de diversos fatores, como a preparação da superfície, espessura da película aplicada, método de aplicação ou condições durante a aplicação.

Os métodos convencionais mais utilizados na maioria dos casos são as aplicações a rolo, trincha ou pincel, pulverização convencional e pulverização sem ar (airless spray).

1. ROLO
Este método de aplicação é freqüentemente utilizado na pintura de superfícies de porte médio. Para a sua aplicação deve-se utilizar rolo com lã de carneiro, pois as tintas contêm compostos orgânicos que afetam o de espuma.

Geralmente tinta de alta espessura aplicada a rolo não alastra suficientemente, deixando o filme irregular, podendo acarretar a falta de cobertura em pontos de baixa espessura. Este fato se dá devido às tintas de alta espessura serem formuladas para não escorrerem quando da sua aplicação, apresentando uma alta viscosidade tixotrópica.

Ao repintar sistemas termoplásticos (como borracha clorada, vinílico, acrílico, etc), deve-se tomar o máximo cuidado, pois, com a força aplicada sobre a demão anterior, poderá solubilizar novamente a tinta e começar a formar grumos na aplicação e também ocorrer o sangramento.

2. TRINCHA OU PINCEL
Método de aplicação relativamente lento, porém é geralmente empregado quando se tratam de pequenas áreas, retoques, repasse em áreas de solda, rebites, quinas e cantos.

As tintas de alta espessura foram desenvolvidas para aplicação por pulverização airless, sendo, assim, difícil conseguir uma uniformidade sem que haja a formação de sulcos provenientes das cerdas do pincel.

Ao repintar sistemas termoplásticos (como borracha clorada, vinílico, acrílico, etc), deve-se tomar o máximo cuidado, pois, com a força aplicada sobre a demão anterior, poderá solubilizar novamente a tinta e começar a formar grumos na aplicação.

3. PULVERIZAÇÃO
Este sistema de aplicação é o mais eficaz e produtivo da forma como é projetada e depositada a tinta sobre o substrato, promovendo uma boa uniformidade e alastramento do filme ao longo da superfície aplicada. Os dados sobre os tipos de equipamentos necessários para aplicação, levando em consideração sua viscosidade, tipo de material e assim por diante, se encontram na sessão de tabelas.

3.1. CONVENCIONAL
Método rápido e muito utilizado pela sua facilidade de aplicação. A pistola convencional é um conjunto de equipamentos relativamente simples, porém é imprescindível a mão-de-obra especializada, usando a seguinte combinação: volume e pressão do ar com a vazão do fluido, para obter uma película isenta de defeitos. Além dos controles acima, é muito importante a escolha do tipo de pistola e seus equipamentos, tais como: capa de ar, agulha e tipo de bico, que incidem diretamente na perfeita pulverização.

Se a aplicação por meio da pulverização convencional não for devidamente controlada, teremos certamente grande quantidade de tinta por overspray, além de problemas técnicos como escorrimento, fraco alastramento, porosidade, etc.

A tinta de alta espessura, se aplicada através de pulverização convencional, irá requerer maior diluição, refletindo em maior número de demãos para atingir a espessura recomendada.

3.2. AIRLESS SPRAY
Na pulverização sem ar (airless spray), o ar não se mistura com a tinta para formar o leque, pois é pulverizada por meio de pressão hidráulica, através de bicos especialmente projetados. Esta pressão é fornecida por uma bomba acionada a ar, tendo uma alta relação de pressão do fluido para a pressão do ar.

As principais vantagens da pulverização por airless spray são as aplicações de tintas de alta espessura sem diluição, para trabalhos de grande escala com chaparias ou peças planas; menor perda de material e redução do overspray; aplicação rápida e vantagens econômicas.

O leque de pulverização é produzido por uma fenda na ponta dos bicos. A escolha do bico dependerá da pressão de fluido necessária para obter a pulverização desejada e do orifício necessário para produzir a correta vazão de saída do fluído.

A escolha do tamanho do leque de aplicação está relacionada com o tamanho do orifício e escolha do bico, e dependerá do tipo de acabamento desejado e facilidade de aplicação.

4. FATORES ECONÔMICOS DE UM SISTEMA DE PINTURA
A análise econômica de diferentes tipos de pintura tem como fatores principais de custo: preparação da superfície, aquisição das tintas, aplicação e duração do sistema de pintura.

Para que se possa compreender melhor o valor ideal de uma pintura, quanto ao seu desempenho em condições específicas de serviço, é necessário ter alguma experiência do cálculo para a economia deste sistema, considerando o preço por metro quadrado, espessura seca, custo da aplicação e outras despesas.

A vida útil de cada sistema depende do tipo de grau de preparação da superfície a ser pintada, pois quanto melhor a preparação, melhor será a aderência da tinta aplicada. Outros dois fatores que influenciam na eficiência de um sistema são: a maior espessura da película seca aplicada e utilização de tintas de alta performance.

A fórmula de aplicação de economia potencial de uma pintura é descrita como:

Custo do material / Custo da preparação da superfície / Custo de aplicação
}
= Custo Total / Ano
Duração do Sistema
Preparação da Superfície

Obtendo-se o custo total de uma pintura m²/ano, para um determinado sistema de pintura, você pode chegar a economia potencial do sistema mais eficaz e, desta maneira, fazer comparativos entre sistemas e analisar quais as suas necessidades técnicas.

Os sistemas de pintura de alta performance e desempenho são aparentemente materiais de custo mais elevado, entretanto, em ambientes agressivos onde se requer uma proteção prolongada, o uso destes materiais é de suma importância. Devido ao seu alto desempenho, eles proporcionam benefícios que se alinham entre os materiais de custos reais na indústria de revestimentos.

5. CONSIDERAÇÕES GERAIS

NOTA 01 - RENDIMENTO

Entende-se por rendimento, a área em m² que um determinado volume de tinta pode cobrir uma superfície, porém é difícil fornecer uma estimativa real da quantidade de tinta necessária para um determinado trabalho. O rendimento teórico é calculado levando-se em conta o material não volátil (sólidos) em volume da tinta.

Neste caso, considera-se que a tinta seja aplicada em superfície totalmente lisa, sem nenhuma irregularidade ou perda na aplicação. Mas como se sabe, as superfícies normalmente apresentam irregularidades, tais como: rugosidade através de jateamento abrasivo e/ou porosidade, o que ocasiona acúmulo e/ou absorção da tinta pela superfície, causando, desta forma, uma redução no rendimento teórico.

Alguns fatores contribuem para as perdas de tinta, quando da sua aplicação:
a. O primeiro fator é a perda por distribuição de tinta em uma superfície, resultante do excesso de tinta aplicada pelo pintor ao querer atingir uma determinada espessura, tornando a camada ou película totalmente não uniforme.
b. O segundo fator que interfere para a redução do rendimento teórico é o processo pelo qual se aplica o produto. Nas aplicações a pincel, trincha ou rolo, normalmente ocorre uma perda de 5% a 15% e nas aplicações com pistolas convencionais, da ordem de 30%.
c. O terceiro fator que interfere no rendimento é relativo às condições no ambiente de pintura. Em pinturas externas, em dias de muito vento ou muito calor, a perda pode ser o dobro da mencionada no item anterior, sendo o caso mais crítico o da aplicação à pistola.
d. O quarto fator que interfere no rendimento são as perdas provenientes das embalagens e/ou equipamentos utilizados para aplicação, tais como:
o nos galões: devido a certa quantidade que pode permanecer no recipiente, quando da sua transferência para o tanque de pressão;
o tintas de dois componentes que podem exceder o tempo de vida útil;
o nas mangueiras e tanques de pressão, devido às quantidades de materiais que ficam nas paredes sem condições de reaproveitamento.
e. O quinto fator que interfere no rendimento é o tipo de substrato e condições da superfície em que o produto será aplicado. Se a pintura for realizada em tubulações, grades, vigas, etc., obviamente as perdas serão altas, chegando A junção de todos estes fatores é que nos daria o rendimento real, ou seja, o número de metros quadrados que seriam cobertos por um galão de tinta.
Conclusão: o rendimento real deve ser obtido em experiência prática no canteiro de obras para se ter um valor de plena confiabilidade.

NOTA 02 - TEMPO DE INDUÇÃO
É o tempo que se dá às tintas catalisadas bi ou tri componentes, após a mistura dos componentes A, B ou C, para que se possa entrar em operação de aplicação. Este tempo é de no mínimo 15 e no máximo 30 minutos em temperatura de ± 25ºC. Quanto mais baixa for a temperatura maior deverá ser o tempo de indução.

O tempo de indução é de fundamental importância para que a tinta não perca suas propriedades físicas e químicas após a sua aplicação e, conseqüentemente, a sua cura, não comprometendo a durabilidade do sistema de pintura.

O tempo de indução é muito importante, pois ele propicia que os reagentes se encontrem e, com isso, seja possível obter o máximo desempenho que se deseja.

Obs: Importante ressaltar que na maioria dos casos a diluição só deve ser feita depois de decorrido o tempo de indução.

NOTA 03 - CONDIÇÕES IDEAIS PARA PINTURA
Pintar com umidade relativa do ar inferior a 85% e temperatura do ar entre 10ºC e 40ºC. No caso de tinta epóxi, a secagem normalmente se processa através de reações químicas e ocorre com a temperatura acima de 12ºC. Abaixo desta temperatura a cura da tinta não ocorre. Existem tintas epoxídicas especiais que curam acima de 5ºC, exceto quando houver menção especial no boletim técnico do produto.

Somente aplicar se a temperatura do substrato estiver pelo menos 3ºC acima do ponto de orvalho.

As tintas são testadas em laboratório em condições ambientais satisfatórias e temperatura do ar de ± 25ºC. Abaixo ou acima desta temperatura poderá ocorrer retardamento ou aceleração da secagem e cura total.

Caso o intervalo de repintura máximo seja ultrapassado, deve-se proceder lixamento da película para que haja uma perfeita aderência da demão subsequente.

Para repintura interna de tanques, manter exaustão constante quando da secagem dos produtos. A temperatura ideal para cura total do sistema (7 dias) é de 25ºC. Portanto, a cada decréscimo de 3ºC, deve-se aumentar em um dia a cura do sistema.

As tintas pigmentadas com cromato de zinco ou pó de zinco poderão formar sais de zinco na superfície da película exposta ao intemperismo, se a aplicação do acabamento for demorada. Neste caso, lavar a superfície com água doce potável, escovando com cerdas de nylon, e secar.

A tinta borracha clorada, quando aplicada à pistola convencional, tende a formar fiapos (normal para este tipo de tinta). Para minimizar, aconselha-se aumentar o número de demãos, diluindo a tinta a 20% e diminuindo a espessura por demão.

As tintas de acabamento de baixa espessura e tonalidade clara, quando aplicadas sobre fundos escuros, aparentam pouca cobertura, sendo necessário duas demãos no mínimo para cobrir a superfície.

NOTA 04 - DILUIÇÃO
A diluição recomendada vai depender diretamente da temperatura ambiente, dos equipamentos utilizados, bem como da habilidade dos pintores. Como as várias regiões do nosso país são bastante diferenciadas em termos climáticos, recomendamos sempre que se consulte nosso departamento técnico para uma melhor indicação da quantidade de solvente de diluição para cada equipamento utilizado.
 
Para maiores informações, acesse www.rennermm.com.br